Série: Filipenses • Estudo Bíblico

Filipenses 2.5-11: O mesmo modo de pensar de Cristo Jesus

"Pelo contrário, ele se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhante aos seres humanos. E, reconhecido em figura humana, ele se humilhou, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. Filipenses 2:7-8"

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Paulo escreve da prisão a uma igreja que ele ama e elogia, mas que tem atrito por dentro. Há interesse pessoal e vaidade (v. 3), queixas e discussões (v. 14) e duas irmãs que precisam ser chamadas pelo nome para que voltem a pensar do mesmo modo no Senhor (4.2). Nos vv. 1-4 ele pediu humildade: cada um considerando os outros superiores a si mesmo e cuidando do que é dos outros. Agora ele precisa mostrar que cara tem essa humildade, e não o faz descrevendo uma virtude: aponta para uma pessoa, Cristo Jesus.

O trecho que vamos ler é a declaração mais alta que Paulo faz sobre Cristo em todas as suas cartas, e ele a escreveu para resolver um problema de convivência. Isso diz muito sobre o lugar da doutrina na vida da igreja local. Quem não vê quem desceu não consegue medir a descida, e quem não mede a descida não entende o que Paulo está pedindo aos irmãos.

O fio que vamos acompanhar é este: a igreja aprende a conviver quando pensa como Cristo pensou. Ele, sendo Deus, não se agarrou ao que era seu, fez-se servo e obedeceu até a cruz. Por isso o Pai o exaltou, e todo joelho se dobrará diante dele. Em toda a descida quem age é o Filho, sem deixar de ser Deus; na subida quem age é o Pai. E no fim, quem confessa é a criação inteira.

1. Um modo de pensar que tem modelo (Versículo 5)

Filipenses 2:5
“2.5 Tenham entre vocês o mesmo modo de pensar de Cristo Jesus,”

Contexto Histórico e Cultural

O versículo não abre assunto novo. O verbo “pensar”, phroneō, é o mesmo do v. 2, onde Paulo pede que a igreja complete a sua alegria tendo o mesmo modo de pensar, e aparece dez vezes na carta. Ele descreve menos uma ideia do que uma disposição, o jeito habitual de olhar para si mesmo e para os outros. O “isto” com que a frase começa no original aponta para trás, para a humildade dos vv. 3-4; o “que” do versículo seguinte aponta para a frente, para a história de Cristo.

O versículo é a dobradiça entre o pedido e o exemplo. E a ordem vem no plural, com um “entre vocês” que tira o assunto do campo da devoção particular e o põe no modo como os irmãos se tratam. Paulo não está pedindo um sentimento; a palavra é de pensamento, e o verbo pede um padrão contínuo, não um gesto isolado. Humildade, neste trecho, não é emoção; é atitude mental.

Uma coisa precisa ficar clara: o exemplo é dado a quem já está em Cristo. Paulo fala a pessoas que já têm a exortação em Cristo e a comunhão do Espírito (v. 1), e logo dirá que é Deus quem efetua nelas o querer e o realizar (v. 13). Ninguém é salvo por imitar Jesus, e sim por crer nele. A cruz é primeiro substituição, e só depois modelo, como Pedro guarda a ordem: ele levou os nossos pecados no madeiro, e nos deixou exemplo para seguirmos os seus passos (1Pe 2.24, 21).

Aplicação Para Hoje

Quase todo atrito numa igreja local começa antes de qualquer gesto. Começa no modo de pensar: o que considero meu por direito, quanto eu me considero, como eu considero o irmão. Paulo trata o problema na raiz, e por isso a primeira coisa que ele pede não é uma mudança de comportamento, mas de disposição. Isso não se fabrica com força de vontade nem com técnica.

A atitude de Cristo é produzida pelo Espírito em quem decide andar no Espírito; o que nos cabe é olhar para ele sem desviar os olhos. Antes da próxima reunião em que alguém vai discordar de você, vale a pena ler estes sete versículos devagar. É isso que Paulo faz com os filipenses: em vez de dar regras de convivência, ele conta a história de Jesus. E essa história não começa na manjedoura; começa antes de Belém, na eternidade.

2. Ele era Deus e não se agarrou ao que era seu (Versículo 6)

Filipenses 2:6
“que, mesmo existindo na forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus algo que deveria ser retido a qualquer custo.”

Contexto Histórico e Cultural

O relato não começa na manjedoura. “Existindo” descreve uma condição que já estava em vigor quando a decisão foi tomada, e que não cessou depois dela: quando resolveu descer, ele já existia na forma de Deus, e continuou existindo assim quando entrou na história. A palavra “forma”, morphē, não fala de contorno físico, porque Deus é espírito. No modo de pensar grego, a forma de uma coisa é o que faz a coisa ser o que ela é. Dean explica com as cadeiras do salão: a do púlpito e as do coro são diferentes, mas todas têm aquilo que faz uma cadeira ser cadeira.

Dizer que Cristo existia na forma de Deus é dizer que tudo o que faz Deus ser Deus estava nele. A frase seguinte confirma: “o ser igual a Deus”. O verbo “considerou” é o mesmo do v. 3, onde Paulo pediu que cada um considerasse os outros superiores a si. Cristo fez com a própria glória o que Paulo pede que os filipenses façam uns com os outros. E o que ele não fez foi tratar a igualdade com Deus como algo a ser retido a qualquer custo ou explorado em proveito próprio.

A igualdade era dele; ele não a agarrou. Os primeiros ouvintes moravam numa colônia romana onde a vida pública era uma escada, e cada cargo conquistado era gravado em pedra para que todos lessem. Paulo conta a única carreira que começou no topo e desceu. Satanás quis subir ao que não era seu, e Adão também; o Criador não se agarrou ao que era seu.

Aplicação Para Hoje

Todo irmão tem alguma coisa que pode reter: tempo, dinheiro, conhecimento bíblico, anos de caminhada, um lugar entre os presbíteros, a razão numa discussão. O versículo não manda negar o que se tem, porque Cristo não negou que era igual a Deus. Manda reavaliar para que serve o que se tem. Wiersbe conta de um consultor de empregos que dizia: para saber como alguém realmente é, não lhe dê responsabilidades, dê-lhe privilégios.

Quase todos dão conta de responsabilidades quando bem pagos; só um líder de verdade sabe o que fazer com privilégios, porque os usa para servir os outros. Jesus usou os privilégios do céu em nosso favor. Quando um irmão com mais tempo de igreja local usa a sua experiência para ouvir o mais novo em vez de calá-lo, ou quando quem tem razão numa discussão prefere o irmão à vitória, o modo de pensar do v. 6 começa a aparecer. E o que ele fez com o que tinha é o assunto do versículo seguinte.

3. Ele se esvaziou assumindo a forma de servo (Versículo 7)

Filipenses 2:7
“Pelo contrário, ele se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhante aos seres humanos. E, reconhecido em figura humana,”

Contexto Histórico e Cultural

“Pelo contrário” abre o versículo em contraste forte com o anterior: lá Paulo disse o que Cristo não fez com a igualdade com Deus; aqui diz o que ele fez. E a frase traz a palavra que deu nome a uma doutrina inteira: “ele se esvaziou”, kenoō. É preciso ler com cuidado, porque ela já foi mal lida. O verbo não tem complemento: Paulo não diz de que ele se esvaziou. E nas outras quatro vezes em que o apóstolo usa esse verbo, nunca fala de despejar um conteúdo; fala de tornar sem efeito, sem peso: a fé que ficaria “sem valor” (Rm 4.14), a cruz que “perderia o efeito” (1Co 1.17).

É figura de linguagem. Cristo se fez nada aos olhos do mundo, derramou-se. E o próprio texto explica como: “assumindo a forma de servo, tornando-se semelhante aos seres humanos”. O esvaziamento consiste nisso. Ele não se esvaziou deixando alguma coisa; esvaziou-se tomando alguma coisa.

Por isso a regra que governa a leitura é simples, e Woods a resume: a encarnação é acréscimo, não subtração; nada foi tirado de Cristo, e a humanidade foi acrescentada à divindade que existe eternamente. Do que ele abriu mão, então? Não da divindade, nem de atributo algum, porque atributo é parte da essência, e quem perdesse um só nunca teria sido Deus. No século XIX alguns teólogos ensinaram que ele deixou no céu a onisciência, a onipotência e a onipresença; mas o mesmo Paulo escreve de Cristo encarnado que “nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2.9), e os Evangelhos o mostram acalmando a tempestade e conhecendo o que havia no coração dos homens. Ele abriu mão de duas coisas: da posição e do uso.

Da posição: quem ocupava o lugar mais alto do universo tomou o lugar mais baixo que um filipense conhecia. “Forma de servo” usa a mesma palavra do v. 6: se lá ela diz que ele era Deus de verdade, aqui diz que se fez servo de verdade. E a palavra é escravo; numa colônia romana, o escravo estava no último degrau, sem honra a defender e sem direito a reclamar. Do uso: ele não usou os direitos de Deus em proveito próprio nem fora da vontade do Pai. No deserto, com fome, podia fazer pão num instante e respondeu com a Escritura; no Getsêmani, podia pedir doze legiões de anjos e não pediu.

A glória que ele tinha junto do Pai ficou encoberta pela carne, e é essa que ele pede de volta na véspera da cruz (Jo 17.5); mas isso é consequência do esvaziamento, não a sua definição. Há ainda um jogo de palavras que o português perde: no v. 3 Paulo proibiu a “vaidade”, que no original é glória vazia. Os filipenses se enchiam de uma glória oca; aquele que tinha a glória cheia esvaziou-se de verdade. “Semelhante aos seres humanos” não é disfarce: ele teve corpo, fome, sede e cansaço, e foi tentado em tudo como nós, mas sem pecado (Hb 4.15). Sem deixar de ser o que era, passou a ser o que não era.

Aplicação Para Hoje

Há diferença entre fazer um trabalho de servo por um dia e tomar a forma de servo. Jesus não representou um papel; ele foi servo, e na última ceia, sabendo que vinha de Deus e voltava para Deus, pegou a toalha e lavou os pés dos discípulos, trabalho do escravo da casa (Jo 13.3-5). Na igreja local há serviço que ninguém vê nem agradece: a limpeza do salão, a carona para o irmão idoso, o cuidado das crianças enquanto a reunião acontece, a visita ao hospital numa terça-feira à noite. Os que presidem são os primeiros chamados a isso, não para dominar, mas para ser exemplo ao rebanho (1Pe 5.3). E o exemplo de Cristo nos protege de um erro comum: servir não nos diminui.

Ele não deixou de ser Deus ao lavar pés. Quem serve a um irmão não perde nada do que é; ganha a semelhança com o Senhor. Mas ele não parou na encarnação. Fazer-se homem e servo já seria uma descida sem medida; o versículo seguinte mostra que ele desceu ainda mais, até a morte, e uma morte de cruz.

4. Obediente até a morte de cruz (Versículo 8)

Filipenses 2:8
“ele se humilhou, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz.”

Contexto Histórico e Cultural

Quem cruzava com ele na Galileia via um homem como os outros; nada no aspecto dele denunciava a divindade. E é desse homem que se diz o segundo verbo da descida: “ele se humilhou”. A frase repete a do versículo anterior e põe a ênfase em quem age. Os soldados o humilharam, é verdade; mas antes deles, e por baixo do que fizeram, havia uma decisão dele. “Esvaziou-se” descreveu a encarnação; “humilhou-se” é o passo seguinte, dado já como homem.

E o texto diz como: tornando-se obediente. Obediente a quem? Paulo não diz, mas o contexto responde, porque quem exalta o obediente no versículo seguinte é o Pai. Ao entrar no mundo: “estou aqui para fazer a tua vontade” (Hb 10.7). No Getsêmani: “não seja como eu quero, e sim como tu queres” (Mt 26.39).

A humildade dos vv. 3-4 olha para o lado e considera os outros; a do v. 8 olha para cima e obedece ao Pai. Em Cristo as duas são uma só, porque a vontade do Pai era que ele servisse e desse a vida. “Até a morte” marca o grau, e não só o tempo: ele obedeceu até esse ponto. Então Paulo repete a palavra e a agrava: “e morte de cruz”.

Para o leitor de Filipos, colônia de cidadãos romanos, essa era a palavra que não se dizia em boa companhia. Cícero, o maior orador de Roma, um século antes de Paulo, chamou a cruz de suplício próprio de escravos e pediu que até o nome dela ficasse longe dos olhos e dos ouvidos de um cidadão. A lei poupava dela o cidadão; o Senhor que os filipenses confessavam morreu a morte que a colônia reservava aos de baixo. Para o judeu havia mais do que vergonha: quem é pendurado no madeiro é maldito de Deus (Dt 21.23), e Paulo lê esse versículo na cruz: Cristo se fez maldição em nosso lugar (Gl 3.13).

Aplicação Para Hoje

A humildade de Cristo teve forma concreta, e foi obediência a Deus quando custou tudo. Wiersbe diz que a dele não foi a morte de um mártir, foi a morte de um Salvador. Por isso a ordem importa: primeiro recebemos a cruz como substituição, pela fé, e só depois a tomamos como modelo. Quem inverte a ordem transforma o evangelho em esforço.

Recebida a cruz, a pergunta fica simples: que ordem clara da Escritura eu estou adiando porque custa? Perdoar alguém, devolver o que não é meu, acertar uma dívida antiga, parar de murmurar (v. 14). Um cuidado é obrigatório aqui, porque a palavra obediência já foi usada para justificar muita coisa errada. A obediência de Cristo foi ao Pai, não a quem o feria; diante dos soldados ele não obedecia a homens, entregava-se àquele que julga com justiça (1Pe 2.23).

Este texto não manda ninguém permanecer sob violência, exploração ou abuso, em casa, no trabalho ou na igreja. Humilhar-se é ato livre de quem obedece a Deus; ser humilhado à força é pecado de quem humilha. Quem vive isso deve procurar a liderança da igreja e, havendo crime, as autoridades. Até aqui, todos os verbos foram dele: não considerou, esvaziou-se, humilhou-se.

No versículo seguinte ele deixa de ser quem age e passa a ser quem recebe, porque é o Pai quem o exalta e lhe dá o nome. Isso não quer dizer que Cristo tenha ficado inativo depois da cruz. Ele ressuscitou, está sentado à direita do Pai e intercede por nós todos os dias (Rm 8.34; Hb 7.25). Quer dizer que a subida não foi conquista dele por iniciativa própria, e sim a resposta do Pai à sua obediência.

5. Por isso Deus o exaltou (Versículo 9)

Filipenses 2:9
“Por isso também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome,”

Contexto Histórico e Cultural

Até o versículo 8 o sujeito de todos os verbos é Cristo: não considerou, esvaziou-se, humilhou-se. No v. 9 o sujeito muda. O texto diz “Deus”, e o versículo 11 mostra de quem fala: Deus Pai. Quem age agora é o Pai, e o Filho passa a ser aquele que recebe. Aquele que desceu por decisão própria não sobe por iniciativa própria.

O “por isso” tira uma conclusão do que veio antes, e o que veio antes é a obediência. A exaltação é a resposta do Pai à obediência do Filho. Mas o segundo verbo do versículo, “deu”, é palavra da família da graça e quer dizer dar de presente; é o mesmo verbo de 1.29, onde sofrer por Cristo é graça concedida aos filipenses. Há recompensa, portanto, sem que haja salário cobrado: o Pai honra livremente aquele que se humilhou. E quem é exaltado é o Filho feito homem, na sua humanidade obediente; como Deus, nada lhe faltava.

A exaltação não o fez Deus nem Filho, porque ele já o era. O que há de novo é a honra dada a ele como homem. “Sobremaneira” não compara dois graus, como se agora ele estivesse mais alto do que antes; diz que foi posto no ponto mais alto que existe, acima de todo nome. Essa subida tem degraus. Começa na ressurreição, em que o Pai declara ao universo que este é o Filho de Deus (Rm 1.4); segue na ascensão e no lugar à direita, onde ele se assentou depois de fazer a purificação dos pecados (Hb 1.3); e o último degrau ainda não chegou.

Sentado, ele intercede e espera, até que os inimigos sejam postos debaixo dos seus pés (1Co 15.25). Que nome ele recebeu? Não foi “Jesus”, porque esse ele já tinha desde o nascimento. Paulo diz “o nome”, com artigo, e o põe acima de todos; os versículos 10 e 11 vão revelar qual é.

Aplicação Para Hoje

Jesus enunciou o princípio que a sua própria história ilustra: todo o que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado (Lc 14.11). Pedro e Tiago aplicam isso à igreja: humilhem-se debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, os exalte (1Pe 5.6). Num tempo que premia quem se promove, inclusive no meio cristão, a igreja local pode trabalhar sem plateia e sem pressa de reconhecimento. Quem serve sem ser visto, quem cede num desacordo, quem cuida dos irmãos sem título nenhum não precisa se promover, porque Deus sabe exaltar, e o faz no tempo dele; José e Davi esperaram anos.

Dois cuidados precisam ser ditos. Primeiro, isso é galardão, nunca salvação: ninguém se torna filho de Deus por se humilhar, e sim por crer naquele que se humilhou. Segundo, esperar a honra que vem de Deus não torna a humildade interesseira, desde que o motivo seja a glória de Deus e não a nossa. Foi assim com Jesus, que suportou a cruz pela alegria que lhe estava proposta (Hb 12.2).

6. Toda língua confessará que Jesus Cristo é Senhor (Versículos 10 a 11)

Filipenses 2:10-11
“para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.”

Contexto Histórico e Cultural

Paulo escreve estes versículos com um texto na mão. Em Isaías 45 o SENHOR desafia os ídolos das nações, declara “eu sou Deus, e não há outro” e jura por si mesmo: “diante de mim se dobrará todo joelho, e jurará toda língua” (Is 45.22-23). Na tradução grega do Antigo Testamento, o nome de Deus é vertido por kyrios, “Senhor”. Paulo toma o juramento que Deus fez sobre si mesmo e o aplica a Jesus: onde Isaías diz “diante de mim”, Paulo escreve “ao nome de Jesus”.

Dar a Jesus a homenagem que o único Deus reservou para si não é elogio; é declaração de divindade. Por isso o nome acima de todo nome é “Senhor”, e “Jesus Cristo é Senhor” é a confissão mais antiga da igreja: Pedro fecha com ela o sermão de Pentecostes (At 2.36), e Paulo diz que ninguém a faz senão pelo Espírito Santo (1Co 12.3). Quem a fazia não estava dizendo que ele é o chefe; estava dizendo que ele é Deus. A homenagem se presta ao nome humano, o do menino de Belém e do letreiro da cruz: o joelho se dobra diante do crucificado.

E ninguém fica de fora: os que estão nos céus, os anjos; os que estão na terra, a humanidade; os que estão debaixo da terra, os poderes caídos. Na consumação, todos reconhecerão o senhorio de Jesus. Nos que creram, o reconhecimento será alegria; nos demais, será imposto pela evidência e não terá valor de salvação, porque o mesmo capítulo de Isaías já separa os que vêm a ele dos que são envergonhados (Is 45.24). Em Filipos a palavra “Senhor” tinha dono: era o título dado aos Césares.

Um século depois, Policarpo, discípulo do apóstolo João e líder da igreja de Esmirna, já velho, ouviu que bastava dizer “Senhor César” para viver. Respondeu que servia a Cristo havia oitenta e seis anos e dele nunca recebera mal algum. Não as disse, porque sabia a quem o título pertence. E tudo termina “para glória de Deus Pai”: é o Pai quem exalta, quem dá o nome e quem é glorificado quando o Filho é confessado.

Aplicação Para Hoje

O que um dia todos dirão por força da evidência pode ser dito agora pela fé. Quem crê em Cristo, o Filho de Deus que morreu pelos nossos pecados e ressuscitou, recebe a vida eterna e já confessa de coração o que o universo vai confessar. Confessar Jesus como Senhor não é uma condição acrescentada à fé, como se a pessoa só fosse salva depois de prometer submissão em todas as áreas da vida; é concordar com o que Deus diz do seu Filho, e a pessoa é salva crendo nele (Rm 10.9-11). Hoje ainda é dia de crer.

Aos irmãos, o versículo seguinte começa com “assim” e retoma a palavra central do v. 8: “como vocês sempre obedeceram”. A história não foi contada para ser admirada, e sim para ser vivida entre irmãos. A igreja não obedece para que ele seja Senhor, mas porque ele é. Cada domingo, ao partir o pão, a igreja local faz de bom grado e em miniatura o que a criação inteira fará: lembra a cruz do v. 8 e chama de Senhor aquele que nela morreu.

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Referências Bibliográficas

• Dean Jr., Robert L. Philippians (2022), aulas 038 a 051. West Houston Bible Church; Dean Bible Ministries.

• Woods, Andy. Philippians (2020), sessão 4, “The Practicality of Theology”. Sugar Land Bible Church.

• Walvoord, John F. “The Humiliation of the Son of God”, Bibliotheca Sacra; Philippians: Triumph in Christ, cap. 2. Textos abertos em walvoord.com.

• Wiersbe, Warren W. Be Joyful. 2ª ed. David C Cook, 2008. Cap. 5.

• Pentecost, J. Dwight. The Joy of Living: A Study of Philippians. Zondervan, 1973. Caps. 7 e 8.

• Swindoll, Charles R. Insights on Philippians, Colossians, Philemon. Tyndale, 2017.

• Constable, Thomas L. Notes on Philippians. Edição de 2026. soniclight.com.

• Vine, W. E. Expository Dictionary of New Testament Words, verbetes “Form”, “Empty”, “Fashion”, “Exalt”, “Confess”.

• Bing, Charles C. GraceNotes 41 e 80. gracelife.org.

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• Fee, Gordon D. Paul’s Letter to the Philippians. NICNT. Eerdmans, 1995.

• O’Brien, Peter T. The Epistle to the Philippians. NIGTC. Eerdmans, 1991.

• Hawthorne, Gerald F.; Martin, Ralph P. Philippians. WBC 43, ed. revista. 2004.

• Hellerman, Joseph H. Philippians. EGGNT. B&H Academic, 2015.

• Wuest, Kenneth S. Philippians in the Greek New Testament. 1942. Ironside, H. A. Notes on Philippians. 1927.

• Lightfoot, J. B. Saint Paul’s Epistle to the Philippians. 1868. Deissmann, Adolf. Light from the Ancient East.

• Fontes antigas, em traduções de domínio público: Cícero, Contra Verres 2.5 e Pro Rabirio 16; Josefo, Guerra dos Judeus 7; Plínio, Epístolas 10.96; Dião Cássio 51.4; Martírio de Policarpo; João Crisóstomo, Homilias sobre Filipenses 6 e 7; Atanásio, Contra os Arianos 1; os credos de Constantinopla e Calcedônia.

• Texto grego: SBLGNT, com a análise do MorphGNT. Texto bíblico: Nova Almeida Atualizada (NAA), © Sociedade Bíblica do Brasil.

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Infográfico

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