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O capítulo 2 terminou com um quadro: gentios que estavam “sem Cristo” e “sem Deus no mundo” agora são concidadãos dos santos e pedras do santuário em que Deus mora. Paulo começa a orar por eles, “por essa razão”, e se interrompe no fim do versículo 1; o travessão da NAA marca a parada. A oração só é retomada no versículo 14, com as mesmas palavras. Entre uma coisa e outra há uma única frase no grego, doze versículos, em que Paulo explica por que o quadro do capítulo 2 é novo, quem recebeu essa revelação, o que ela contém e o que Deus está fazendo com ela diante dos anjos. Se o capítulo 2 é o quadro, Efésios 3.1-13 é a moldura.
Há um motivo pastoral para a interrupção. Os leitores sabiam que o apóstolo que lhes trouxe o evangelho estava preso havia quase cinco anos: agarrado no templo de Jerusalém, dois anos esquecido em Cesareia, um naufrágio, e agora uma casa alugada em Roma, acorrentado a um soldado. A pergunta que pairava em Éfeso era inevitável: se Deus estava com Paulo, por que tanto tempo de corrente? Será que a mensagem aos gentios estava errada? O versículo 13 revela o alvo de tudo: “peço que não desanimem”.
E a cidade dá cor ao texto. Éfeso era a cidade de Ártemis, cujo culto tinha ritos de mistério reservados aos iniciados, e era famosa pela magia e pelo medo dos poderes espirituais. Paulo vai usar as duas palavras, “mistério” e “potestades”, e virar as duas do avesso. O fio que vamos seguir: Deus guardou desde a eternidade, sem revelar a ninguém, o plano de fazer de judeus e gentios um só corpo em Cristo; revelou-o agora aos apóstolos e profetas, confiou a Paulo o anúncio e exibe na igreja, diante dos anjos, a sua sabedoria. Por isso nenhuma prisão, nenhum revés, é motivo para desanimar.
1. Prisioneiro de Cristo, administrador da graça (Versículos 1 a 2)
Efésios 3:1-2
“Por essa razão eu, Paulo, o prisioneiro de Cristo Jesus, por amor de vocês, os gentios — se é que vocês ouviram falar a respeito da dispensação da graça de Deus a mim confiada em favor de vocês,”
Contexto Histórico e Cultural
Paulo está acorrentado a um soldado romano, mas não se chama prisioneiro de Nero. Chama-se “o prisioneiro de Cristo Jesus”: pertence a Cristo, está preso por causa de Cristo, e foi Cristo quem o pôs ali. “Por amor de vocês, os gentios” é literal. A multidão do templo o ouviu com paciência até ele dizer a palavra “gentios”, e a acusação formal foi ter levado um gentio de Éfeso, Trófimo, para dentro da área proibida. Paulo está preso por pregar a mensagem que vai explicar agora.
“Se é que vocês ouviram” não expressa dúvida; é o modo grego de dizer “vocês certamente ouviram”, e os efésios tinham ouvido do próprio Paulo durante três anos. “Dispensação” traduz a palavra da administração de uma casa por um mordomo em nome do dono. O que foi confiado a Paulo foi a graça, o dom apostólico de levar o evangelho aos gentios; o que lhe cabe é administrá-la com fidelidade. E o que se pede de um administrador não é resultado, é fidelidade.
Aplicação Para Hoje
Repare no modo como Paulo descreve a própria limitação. Não “a prisão que Roma me impôs”, mas “o prisioneiro de Cristo”. O irmão que perdeu o emprego, recebeu um diagnóstico ou foi transferido contra a vontade pode fazer a mesma pergunta que Paulo responde neste trecho: como isso mudou o plano de Deus para a minha vida? A resposta, como vamos ver, é que não mudou. E a mordomia também é nossa.
Não temos a missão de Paulo nem a autoridade dele, mas temos a mesma mensagem, e cada um de nós recebeu algo para administrar: um dom, uma família, um grupo de irmãos, uma oportunidade de falar de Cristo. A régua é a mesma que Paulo aplicou a si mesmo: fidelidade no que foi confiado, e não o tamanho do resultado. Mas o que exatamente foi confiado a ele? É o que ele passa a explicar.
2. Uma verdade que nenhuma geração conheceu (Versículos 3 a 5)
Efésios 3:3-5
“pois, segundo uma revelação, me foi dado a conhecer o mistério, conforme escrevi há pouco, resumidamente. Ao lerem o que escrevi, poderão entender a minha compreensão do mistério de Cristo, o qual, em outras gerações, não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, como agora foi revelado aos seus santos apóstolos e profetas, pelo Espírito.”
Contexto Histórico e Cultural
O leitor de hoje ouve “mistério” e pensa em enigma. Na Bíblia é o oposto: uma verdade que estava guardada em Deus e que ainda não havia sido revelada, e que agora foi aberta. Em Éfeso a palavra tinha sabor polêmico. Os ritos de Ártemis guardavam os seus mistérios para os iniciados; o mistério de Paulo é um mistério às avessas, porque Deus o revela e manda anunciar a todos, e o versículo 4 promete que a leitura basta: “ao lerem, poderão entender”.
Não exige iniciação nem êxtase, exige leitura atenta. Paulo o recebeu “segundo uma revelação”, não o deduziu das Escrituras nem o construiu por raciocínio; “conforme escrevi há pouco” aponta para o que ele acabou de dizer no capítulo 2. E o versículo 5 faz a afirmação decisiva: em outras gerações essa verdade não foi dada a conhecer “como agora foi revelada”. O “como” não compara graus, como se o Antigo Testamento a conhecesse um pouco; compara espécies, como quando Pedro diz que os discípulos “não estão bêbados, como vocês pensam”.
O Antigo Testamento anunciava bênção aos gentios por meio de Israel, mas nunca um corpo novo em que judeus e gentios crentes fossem iguais; o versículo 9 dirá que isso “esteve oculto em Deus”. A revelação veio “aos seus santos apóstolos e profetas”, e a ordem das palavras mostra que são os profetas do Novo Testamento, os mesmos que formam o fundamento da igreja no capítulo 2. Não foi dada só a Paulo: Pedro a viveu na casa de Cornélio antes de Paulo escrever qualquer carta.
Aplicação Para Hoje
Se a revelação veio a um grupo definido, e se esse grupo é o fundamento da igreja, a revelação que fundou a igreja está completa. Isso responde com mansidão às ofertas de “nova revelação” e de “novos apóstolos”: o que Deus tinha a dizer sobre esta era, ele disse, e a igreja não precisa esperar uma palavra nova para saber o que Deus está fazendo hoje. Basta ler o que Paulo escreveu. E isso corrige o modo como buscamos entender a Bíblia.
Quem ensina a Palavra não recebe intuições místicas; estuda o texto que foi revelado, e o Espírito que o revelou aos apóstolos ilumina quem o lê. Como escreveu Warren Wiersbe, o Antigo Testamento diz claramente que Deus salvará os gentios por meio de Israel, mas em lugar nenhum diz que judeus e gentios formariam uma nova criação, a igreja, o corpo de Cristo. Essa é a verdade que estava em Deus. O versículo seguinte a enuncia numa frase.
3. Coerdeiros, do mesmo corpo, coparticipantes (Versículo 6)
Efésios 3:6
“O mistério é que os gentios são coerdeiros, membros do mesmo corpo e coparticipantes da promessa em Cristo Jesus por meio do evangelho,”
Contexto Histórico e Cultural
Três palavras, e as três começam no grego com a mesma preposição, “junto com”. Coerdeiros: os gentios herdam junto com os judeus que creram. Membros do mesmo corpo: uma palavra que não aparece em nenhum texto grego anterior, e que Paulo talvez tenha criado para dizer algo que não tinha nome. Coparticipantes da promessa: a promessa feita a Abraão, recebida pela fé. Repare no que o versículo não diz.
Não diz que os gentios seriam salvos; isso o Antigo Testamento já dizia. Não diz que os gentios foram acrescentados a um corpo que já existia; o corpo passou a existir com eles, em Pentecostes. E não diz que o gentio virou judeu. No Antigo Testamento, o gentio que quisesse andar com Deus se tornava prosélito: circuncisão, Lei, templo.
O que ninguém previu foi um terceiro organismo, nem Israel nem as nações, em que o judeu e o gentio que creem estão em pé de igualdade. Como resume Harold Hoehner, a igreja não é o novo Israel, mas um corpo distinto de crentes formado por judeus e gentios que creem. Israel continua Israel, com as promessas nacionais que Deus não revogou; os gentios participam da promessa espiritual, o Messias, a justificação, o Espírito, e não da terra dada à nação. Tudo “em Cristo Jesus por meio do evangelho”: crendo, e não por etnia nem por rito.
Aplicação Para Hoje
Um gentio de Éfeso sentado à mesa com um judeu, partindo o mesmo pão, era algo que nenhum profeta tinha descrito. Dois mil anos depois, nós, gentios, não sentimos o tamanho da novidade, e por isso a tratamos como direito. Mas ela tem consequências concretas. Se Deus aboliu a única divisão que ele mesmo tinha estabelecido, nenhuma outra cabe no corpo: classe, região, geração, cor, formação. A igreja que trata um irmão como visitante permanente desmente o versículo 6.
E há uma consequência sobre Israel: o cristão que despreza o povo judeu, ou que se apropria das promessas feitas a ele, não entendeu o mistério. Paulo, apóstolo dos gentios, tinha “grande tristeza” pelos seus compatriotas e advertiu os gentios a não se gloriarem contra os ramos. Ser coerdeiro é motivo de gratidão, não de arrogância. E foi para anunciar isso que Paulo foi feito ministro.
4. O menor de todos os santos e a riqueza que não se rastreia (Versículos 7 a 9)
Efésios 3:7-9
“do qual fui constituído ministro conforme o dom da graça de Deus a mim concedida segundo a força operante do seu poder. A mim, o menor de todos os santos, foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo e manifestar a todos qual é a dispensação do mistério que, durante tempos passados, esteve oculto em Deus, que criou todas as coisas.”
Contexto Histórico e Cultural
“Fui constituído”: Deus o pôs no serviço, e “ministro” é a palavra do servo que atende à mesa. Duas coisas lhe foram dadas: o encargo, “conforme o dom da graça”, e a capacitação, “segundo a força operante do seu poder”, a mesma força que ressuscitou Cristo no capítulo 1. Deus não dá responsabilidade sem dar o poder para cumpri-la. Então Paulo inventa uma palavra: elachistoteros, um comparativo feito sobre um superlativo, “mais-menor”, menor que o menor. Não é falsa modéstia.
Ele se lembra do perseguidor que presidiu a morte de Estêvão. E a esse homem foi dada a graça de pregar aos gentios “as insondáveis riquezas de Cristo”. A palavra vem de “pegada”: é o que não se pode rastrear. Não é só muito; está fora do alcance da investigação humana, e só se conhece pela Palavra.
O segundo encargo é “manifestar a todos”, literalmente iluminar: mais do que anunciar, explicar até que se entenda. E o mistério “esteve oculto em Deus, que criou todas as coisas”: o Criador do universo é o autor da nova criação, e o plano e o tempo eram dele. Ninguém guarda uma verdade como Deus a guardou. Nenhum anjo esperava isso, nenhum demônio, nenhum crente do Antigo Testamento.
Aplicação Para Hoje
Muita gente se desqualifica pelo passado: “com o que eu fiz, Deus não pode me usar”. O homem menos qualificado para escrever esta carta foi salvo, perdoado e usado, e a graça que o perdoou é a mesma que o capacitou. O passado confessado não impede o serviço. Identifique um serviço concreto que você deixou de assumir por se achar indigno, e assuma-o. E há um aviso para quem já serve: Paulo queria ir a Roma como pregador livre e seguir para a Espanha; chegou acorrentado, depois de anos de espera.
A vida cristã é, em boa parte, aprender a ajustar os nossos planos ao plano de Deus, e não o contrário. O que a prisão produziu foram quatro cartas que a igreja lê há dois mil anos. As riquezas de Cristo não se rastreiam, mas se recebem, e quem as recebeu tem o que dizer. Só que havia outra plateia para esse anúncio, que ninguém na sala conseguia ver.
5. Uma igreja diante dos anjos, segundo o propósito eterno (Versículos 10 a 11)
Efésios 3:10-11
“E isso para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida dos principados e das potestades nas regiões celestiais, segundo o eterno propósito que Deus estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor.”
Contexto Histórico e Cultural
Aqui está o ápice do trecho. Tudo o que veio antes existe “para que agora, pela igreja”, a sabedoria de Deus se torne conhecida “dos principados e das potestades nas regiões celestiais”. Esses são os seres angélicos, os mesmos que o capítulo 1 pôs debaixo dos pés de Cristo e que o capítulo 6 vai chamar de inimigos. A plateia inclui anjos fiéis e anjos caídos. Os fiéis observam com interesse; Pedro diz que eles “desejam contemplar” as coisas do evangelho.
Os caídos observam a própria derrota. E repare no que o texto não diz: não manda a igreja pregar aos anjos nem atacar as potestades. O verbo está na voz passiva. A sabedoria de Deus “se torna conhecida” pela simples existência de um corpo em que judeus e gentios convivem como iguais. Os anjos conhecem o poder de Deus, viram a criação; conhecem a santidade, cantam “santo, santo, santo”; conhecem o juízo, viram a queda dos rebeldes.
O que eles nunca tinham visto era graça para rebeldes, e isso aprendem olhando para a igreja. “Multiforme” é polypoikilos, de muitas cores, a palavra usada para a túnica de José: uma sabedoria que ninguém, humano ou anjo, conseguiria prever, e que se admira depois de revelada. Satanás não a conhecia. Como Paulo diz aos coríntios, se os poderosos a tivessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória. E tudo isso é “segundo o eterno propósito”, que Deus não apenas planejou, mas realizou, na cruz, “em Cristo Jesus, nosso Senhor”.
Aplicação Para Hoje
A igreja não é um plano B. Como diz o Dr. Andy Woods, não pense que, porque Israel rejeitou o Messias, Deus ficou com as mãos suadas e disse “e agora? já sei, vou criar a igreja”. A igreja é o propósito eterno de Deus, executado na cruz, e nada do que acontece a ela o pega de surpresa. Isso muda o peso da reunião de domingo.
A convivência entre irmãos de origens diferentes, o modo de tratar quem falhou, a forma de resolver uma divergência na igreja: tudo isso é observado por uma plateia maior. Não é motivo de culpa, é motivo de sentido. Até quando caímos e Deus nos disciplina em vez de nos expulsar, a graça dele está sendo exibida. E isso define a nossa parte na guerra espiritual: não é atacar o inimigo, é ficar firme, alimentado da Palavra, confessando o pecado, andando pelo Espírito.
Vencer Satanás é trabalho de Cristo, e já foi feito. Se somos o palco da sabedoria de Deus diante dos anjos, como falamos com o Deus que nos pôs ali? Com medo, como súditos diante de um trono distante? O versículo 12 responde.
6. Ousadia, acesso, e nenhuma razão para desanimar (Versículos 12 a 13)
Efésios 3:12-13
“Em Cristo, temos ousadia e acesso a Deus com confiança, mediante a fé nele. Portanto, eu peço que não desanimem por causa das minhas tribulações em favor de vocês, pois isso é motivo de honra para vocês.”
Contexto Histórico e Cultural
Três palavras descrevem a posição do crente diante de Deus. “Ousadia” é parrēsia, a liberdade de palavra do cidadão na assembleia grega, a franqueza de quem fala sem medo; Moisés argumentava com Deus, e Davi despejava nos Salmos a sua frustração. “Acesso” é a entrada franqueada, a mesma palavra do capítulo 2. “Confiança” é o ânimo com que se faz as duas coisas. E tudo “mediante a fé nele”, só isso.
O acesso tem uma data: na cruz, o véu do templo se rasgou de alto a baixo. O gentio de Éfeso, que em Jerusalém não podia passar da mureta do pátio exterior sob pena de morte, agora entra no lugar mais santo. Então a longa frase chega ao seu alvo: “portanto, eu peço que não desanimem”. Paulo não pede que orem pela sua libertação; pede que não percam o ânimo.
E dá a razão: a prisão dele é “motivo de honra” para eles. Se ele não tivesse aceitado levar o mistério aos gentios, não estaria acorrentado, e eles não conheceriam a Cristo. A corrente é a prova de quanto eles valem para Deus. E a prisão produziu fruto: o evangelho chegou à guarda do palácio e à casa de César.
Aplicação Para Hoje
Repare no remédio que Paulo dá para o desânimo. Não é uma técnica de motivação; é doutrina. Ele explica quem Deus é, o que Deus planejou, o que Cristo realizou e quem nós somos, e depois diz: portanto, não desanimem. Quem visita um irmão abatido pode fazer o mesmo, levando um texto em vez de uma frase feita.
E o desânimo que Paulo previne não nasce só da perseguição; nasce também da distância entre o que esperávamos e o que aconteceu. A resposta é a mesma. Voltamos à pergunta da moldura: a prisão de Paulo mudou o plano de Deus? Em nada.
O plano é eterno, foi realizado na cruz, está sendo exibido diante dos anjos por meio desta igreja, e cada um de nós tem acesso franco ao Pai. Ore nesta semana com franqueza, inclusive com uma frustração honesta, e termine como Hebreus manda: aproximando-se com confiança do trono da graça. Nenhuma corrente romana muda isso. E à mesa do Senhor, quando judeus e gentios, ricos e pobres, novos e antigos na fé anunciam a morte de Cristo até que ele venha, os anjos observam, e aprendem quem Deus é.
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Referências Bibliográficas
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• DEAN JR., Robert. The Angelic Rebellion / The Divine Council, lições 02 a 17. West Houston Bible Church, 17/11/2020 a 07/01/2021.
• WOODS, Andrew M. Book of Ephesians, sessão 05: “Ephesians 3:1-21 — Blessings Revealed”. Sugar Land Bible Church, 02/05/2010.
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• HOEHNER, Harold W. “Ephesians”. In: Cornerstone Biblical Commentary, vol. 16. Carol Stream: Tyndale, 2008.
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